Diabetes Mellitus e mudança de comportamento

setembro 21, 2011

Diabetes Mellitus e mudança de comportamento

Natureza crônica, gravidade de complicações e meios necessários para o controle: esses são apenas alguns dos fatores que fazem do Diabete Mellitus (DM) uma doença com custo muito alto, custo esse que atinge não somente os doentes e suas famílias como também o sistema de saúde. Os custos do Diabetes Mellitus afetam a todos, porém, os problemas não são apenas de ordem econômica. Existem custos que não se consegue medir, tais como a dor, a ansiedade, a perda de qualidade de vida, e que também causam grande impacto na vida das pessoas com diabetes e seus familiares.

Existem evidências de que as alterações no estilo de vida, especialmente na alimentação e na redução da atividade física, estão associadas ao acentuado aumento na prevalência do DM tipo 2. Além disso, outros fatores, tais como o crescimento e envelhecimento populacional e o sedentarismo, elevam a prevalência da obesidade e do DM.

Com frequência os profissionais de saúde sentem-se frustrados com a incapacidade de seus pacientes em aderir às recomendações para mudança de estilo de vida. Por outro lado, os pacientes queixam-se da falta de tempo com os profissionais para discutir suas dúvidas, seus temores, mitos e verdades sobre a doença.

Embora os recentes avanços no conhecimento, na terapia e na tecnologia tenham aumentado a habilidade dos profissionais de saúde nos cuidados com o paciente com Diabetes Mellitus, pessoas com diabetes ainda apresentam complicações agudas e crônicas por não atingirem as metas recomendadas. É interessante notar que essas dificuldades envolvem a aderência a um novo estilo de vida que aparentemente é imposto pela doença mas que, na realidade, deveria ser o estilo de vida de todos que pretendem ter uma boa qualidade de vida.

Querendo entender esses processos de mudança como forma de melhorar a adesão dos pacientes às terapêuticas recomendadas, realizei um estudo com pacientes portadores de DM e profissionais envolvidos no tratamento desses pacientes no Ambulatório do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Através da formação de um grupo de pacientes, o trabalho se estendeu ao longo de dois anos e as observações realizadas nesse estudo evidenciaram que pacientes e profissionais de saúde sentem a necessidade de que práticas educativas sejam incentivadas e incluídas em nosso sistema de saúde.

Através desse trabalho, foi possível concluir que programas de educação nutricional são fundamentais para enfrentar o atual quadro de morbi-mortalidade da população, que vem se agravando nos últimos anos pela mudança nos padrões alimentares e estilo de vida. Sabe-se que os hábitos alimentares têm uma dimensão social e histórica que nasce com o modo de produção da sociedade, da inserção e das relações dos indivíduos no mercado de trabalho e da classe social a qual pertencem; além disso, existem aspectos da história pessoal de cada indivíduo que fazem dos hábitos alimentares uma questão multidimensional.

Justamente por ser uma questão multidimensional, muitos estudos têm demonstrado que as práticas educativas, através de informações preventivas e corretivas para a população, tornam-se ineficazes, pois o não seguimento das prescrições de saúde tem causas muito mais profundas do que apenas falta de conhecimento e de motivação pessoal. Sendo assim, a educação em saúde deve ajudar na busca da compreensão das raízes desses problemas e oferecer pistas para suas possíveis soluções.

EVERS, Sandra Maria Schroeder. Educação em saúde com pacientes portadores de Diabetes Mellitus tipo 2 no ambulatório do Hospital Nossa Senhora da Conceição. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Práticas Pedagógicas para educação em saúde. UFRGS: Porto Alegre, 2010.

Nutricionista Sandra M.S. Evers

CRN-2 0390

Ambulatório Hospital Nossa Senhora da Conceição

GHC – Ministério da Saúde


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