Palpitação

Definição
As palpitações significam percepção incômoda dos batimentos cardíacos, sendo descritas pelos pacientes de diferentes maneiras, tais como “batimentos mais fortes”, “falhas”, “arrancos”, “paradas”, “tremor do coração”, “coração que deixa de bater”, “coração que parece que vai sair pela boca”, “coração que pula” e outras comparações.

Significado Clínico

A percepção incômoda dos batimentos cardíacos, em grande parte das vezes, não está associada a alterações do ritmo cardíaco ou cardiopatia estrutural.

São contrações cardíacas mais fortes e intensas, lentas ou rápidas, rítmicas ou arrítimicas, podendo ser decorrentes de transtornos do ritmo ou da frequência cardíaca (p. ex, taquicardias, pausas compensatórias,aumento do débito cardíaco, estudos hipercinéticos, hipertrofia ventricular, início súbito de braquicardia em decorrência de bloqueio completo, após exercício físico ou emoções fortes).1

Ao avaliar o paciente com palpitações, o médico deve determinar os seguintes conceitos: sintoma (palpitação), distúrbio funcional (arritmia), substrato (cardiopatia subjacente) e fatores precipitantes.

O objetivo da investigação médica deve ser a avaliação de cada uma dessas dimensões do problema do paciente, propiciando uma base sólida para a conduta futura.

História Clínica

A história é a etapa mais importante da investigação clínica do paciente portador de palpitações e deve ser meticulosa para detalhar uma séria de informações, tais como:

Frequência dos espisódios.

Duração do episódio.

Modo de instalação e desaparecimento.

Ritmo (regular ou irregular, rápido ou lento).

Sintomas associados (dispnéia, dor torácica, tontura, etc.).

Hoário de aparecimento (noturno, diurno, pós-prandial, etc.).

Fatores desencadeantes, como estresse psicológico, exercício físico, uso de bebidas (chás, cafés, bebidas à base de cola, energéticos, álcool), drogas lícitas e ilícitas, tabagismo e outros estados (anemia, hipoglicemia, hipoxemia, hipertireoidismo, feocromocitoma e tumor carcinóide).1

Presença de cardiopatia subjacente (doença coronária, valvopatias, cardiopatias congênitas, cardiomiopatias, insuficiência cardíaca).2

Frequência dos Episódios: pode variar de muitos episódios diários a apenas um único espisódio na vida.

Apenas por essa informação, coletada na anamnese, o médico pode escolher diferentes exames laboratoriais para registrar esses episódios: Holter de 24 horas, monitor de eventos ou mesmo indução de arritmia provável causadora das palpitações, pelo estudo eletrofisiológico invasivo ou transesofágico, nos casos em que as palpitações são muito infrequentes.

Duração dos episódios: podem ser referidos como muito breves (apenas falhas) ou até como palpitações de longa duração (horas ou mesmo dias), podendo informar sobre sobre as diversas formas de arritmia como mera extra-sistoles ou pausas sinusais, bloqueio de segundo grau e até os diversos tipos de taquicardias.

Modo de instalação e desaparecimento: quando inicia e termina de maneira gradual pensa-se em taquicardia sinusal, ao passo que as de início e fins súbitos são indicativas de taquicardia paroxística por reentrada (ventricular ou supraventricular).

Ritmo e frequência do episódio: o relato de taquicardia com batimentos irregulares pode levantar a suspeita de fibrilação atrial. Umas frequência cardíaca (FC) de 100 a 130 leva a pensar em taquicardia sinusal e > 150 bmp em taquicardia extra-sinusal. Habitualmente, o paciente percebe mais o batimento pós-extra-sistólico do que a contração prematura, de modo que a sensação de “deixar de bater” coincide com a pausa compensatória. Extra-sístoles em salvas são descritas como “disparos do coração” de curta duração. Essa percepção é dependente do paciente  e da presença ou não de cardiopatia de base. Um paciente com cardipatia  estrutural apresenta em geral mais sintomas durante uma taquicardia do que com o coração estruturalmente normal.

Sintomas associados (dispnéia, dor torácica, tontura, etc): as palpitaçóes que acompanham distúrbios emocionais (comuns em pacientes neuróticos) podem ser acompanhadas de precordialgia, dispnéia suspirosa, síndrome de astenia neurocirculatória e outras manifestações de cunho emocional.

Horário de aparecimento (noturno, diurno, pós-prandial, etc) e situação em que surge: a queixa de palpitação ao se levantar está mais associada à taquicardia sinusal reflexa.

Fatores desencadeantes: a anamnese permite ainda que conheçamos os fatores precipitantes das palpitações, como esforço físico ou outro estado hiperadrenérgico, ingestão de substâncias como café, chá, chocolate e outras que contenham xantinas, drogas B-agonistas, álcool etc. Isso ajuda no diagnóstico da arritmia e de sua gravidade

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 201 outros seguidores