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Dos comunistas, que estiveram em 1992 no X Congresso Brasileiro do PCB, que mudou o nome e símbolo do partido para Partido Popular Socialista – PPS – não escutei nenhuma manifestação de amor ou ódio pelo retorno do Prefeito José Fogaça para o PMDB. Para alguns, ele não estava presente na mudança do partido quando o fundamental foi o processo dialético de ruptura e continuidade. Ruptura com os erros do passado, o socialismo real – Hungria, Muro de Berlim, Iugoslávia… Continuidade, legando à sociedade um partido de esquerda moderno, com a utopia de implantar uma democracia radical. Para outros, a disposição do Partido de construir novos referenciais – tolerância na pluralidade e na radicalidade democrática – determinou uma metamorfose no partido com a chegada de segmentos organizados seduzidos por uma esquerda mais arejada. O PPS se transformou numa sigla de visibilidade política. Repetindo Sartre:
“O partido político é a morte da esquerda”.
Os velhos comunistas herdeiros da ação política do que melhor produziu o PCB em termos de conquistas democráticas e humanistas ficaram no aprofundamento da transição PPS/PCB. Acreditando talvez nos dizeres de Vitor Hugo:
“Há uma coisa mais poderosa que todos os exércitos, é uma idéia cujo tempo tenha chegado”.
Governar é preciso. A existência da esquerda não pode ser atrelada unicamente a possibilidade de assumir e muito menos da tomada do poder. A esquerda, antes de uma engrenagem voltada para o poder, deve ser um movimento permanente de idéias, ponto de passagem na busca de utopias. Os velhos comunistas, sempre tiveram esta disposição. Faço das palavras de Astrogildo Pereira a minha homenagem a eles:
“É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos”.
Dr. Rui Peixoto
Médico Cardiologista
Escrito por Cardiologista Rui Peixoto 