Quando e porque se passou a considerar o coração símbolo das nobres qualidades humanas? A que era remonta sua primeira representação gráfica ou plástica? Sua simbologia passa pelos escapulários, árvores de parques, mas principalmente pelo intimismo da paixão. Nada é mais antigo que definir caráter, sensibilidade, e o jeito das pessoas usando o coração. De ouro, de pedra, de vidro, valente, solitário, cigano.
Dos cardiologistas mexicanos:
“Oir los latidos del corazon visible e invisible del universo: es excesiva ambición?”.
Do Instituto Nacional de Cardiologia do México, um dos mais importantes do mundo, retorna ao Brasil o Professor Rubem Rodrigues, com a certeza de iniciar no sul do país uma Escola de Cardiologia nos mesmos padrões filosóficos da mexicana. Implantou a Fundação Universitária de Cardiologia, suporte de ensino e pesquisa do moderno Instituto de Cardiologia, inaugurado por ele mesmo na época. Como médicos residentes na década de 70, vivenciamos a evolução rápida da cirurgia cardíaca desde a ponte de safena aos transplantes de coração. Das novas abordagens diagnósticas, invasivas (Cateterismo Cardíaco) e as não invasivas (Teste Ergométrico e Ecocardiograma) diagnosticando precocemente a doença coronariana e prevenindo a morte súbita. Da modernização terapêutica e a identificação dos fatores de risco que levam ao infarto. Não teríamos sobrevivido a tantas informações senão tivéssemos o suporte técnico-científico da Fundação Universitária de Cardiologia sob o comando do Professor Rubens. As doces lembranças de suas aulas sobre o stress e o coração: “Os pássaros do zoológico da Califórnia tinham mais arterosclerose coronariana que os da mesma família que viviam livres na África”. “Os italianos gordos e bebedores de vinho em Nova York tinham mais infarto que os italianos gordos e mais bebedores de vinho que viviam em suas aldeias de origem”. “A comunidade ítalo-americana de Roseto, na Pensilvânia, onde um grupo étnico homogêneo de pessoas apresenta incidência de morte por infarto de menos da metade dos observados na localidade vizinha. Esta comunidade caracterize-se por seu padrão de vida alegre, sem inibições, com quase nulo espírito competitivo, econômico e social”. Afirmava sempre:
“Nós agredimos o nosso coração quando trabalhamos acima de nossa capacidade física e intelectual”.
Com 77 anos recebeu das mãos do Professor Ivo Nesrala, o Prêmio Qualidade Hospitalar ano 2000, outorgado pelo Ministério da Saúde, baseado na avaliação feita pelos pacientes do Sistema Único de Saúde – SUS. “Do outro lado do riacho”, seu livro autobiográfico, relata das dificuldades de implantação dos Ambulatórios do SUS, e refere um estudante de medicina com muito carinho. Faz 40 anos. O coração do cardiologista carrega desde então e para sempre este afago.

Escrito por Cardiologista Rui Peixoto 