Artigo publicado enquanto Presidente do Diretório Metropolitano do PPS de Porto Alegre
Governar é preciso. A esquerda tem de se preparar para governar, mas a sua existência não pode estar atrelada unicamente a possibilidade de assumir o poder e muito menos, da tomada do poder. Ela deve buscar compromissos mais amplos: com a sociedade civil organizada, o parlamento, com as comunidades, com a cultura, com a inteligência e principalmente com a cidadania. A esquerda, antes de uma engrenagem voltada para o poder, deve ser um movimento permanente de idéias, o ponto de passagem na busca de utopias.
O poder do Estado não pode ser concebido como o vértice dos objetivos da esquerda do século XXI. Entretanto, ela deve ter propostas concretas e realizar as alianças necessárias para alcançá-las. Sempre pela via democrática e pela adesão das parcelas majoritárias da opinião pública.
No X Congresso Brasileiro do PCB, em 1992, que mudou o nome e o símbolo do partido para Partido Popular Socialista, o fundamental da mudança foi o processo dialético de ruptura e continuidade. Ruptura com os erros do passado (socialismo real) e continuidade, legando a sociedade um partido de esquerda, moderno, com a utopia de implantar uma democracia radical. O PPS sofreu uma metamorfose com a chegada de segmentos organizados, ou não, da sociedade, seduzidos por uma esquerda mais arejada.
Os comunistas herdeiros da ação política do que melhor produziu o PCB em termos de conquistas democráticas e humanistas, ficaram no aprofundamento da transição PCB-PPS.
O Diretório Central do PPS com o projeto do Diálogo Nacional, que é a disposição de construir novos referenciais e adotar procedimentos na tolerância, na pluralidade e na radicalidade democrática, tem tentado buscar uma frente de centro esquerda para as eleições de 2002. Mas para isso tem de buscar convergências e isto só virá a ocorrer se tiver a disposição para o diálogo.
Os comunistas sempre tiveram esta disposição. Os companheiros Hagemann, Avelini, Gutierrez e tantos outros, pelo respeito a história da dedicação não rara vezes sem limites, deveriam voltar a militar, porque eles são a cara do PPS.
Faço das palavras de Astrogildo Pereira minha homenagem a eles:
“É preciso sacudir pelas entranhas os cegos que não querem ver e os surdos que não querem ouvir. Não queremos que o Brasil se transforme num país de mudos.”
Voltem.
