“La muerte súbita: Todo está en el corazón”
Professor Eduardo Hirschautt
A morte súbita mata 260 mil pessoas por ano no Brasil. Quando transmitida pela televisão durante um jogo de futebol, atormenta milhões de pessoas, em todo mundo. A primeira vítima foi Marc Foé, da seleção de Camarões. Tempos depois, a mesma cena: um jogador húngaro e recentemente um jogador do futebol brasileiro. A mídia dá maior atenção ao trauma da perda do que à morte por parada cardíaca de um cidadão comum. A morte súbita é uma fatalidade, não-esperada, não-violenta, não auto-infligida, em pacientes com ou sem doenças preexistentes, dentro de uma hora do início do evento.
No caso de morte não testemunhada, a vítima deverá ter sido vista passando bem nas últimas 24 horas.
Em Piacenza, Itália, com 250 mil habitantes, o índice de sobrevida à morte súbita era de 4,5%. Após a implantação do projeto Vida, de treinamento da comunidade e da instalação de kits com desfibriladores em pontos estratégicos da cidade, o índice de sobrevida subiu para 45,7%. O aeroporto de Chicago, onde passam 80 milhões de pessoas por ano, era considerado o segundo maior ponto de morte súbita da cidade. Lá foram treinados 5 mil funcionários e disponibilizados kits com desfibriladores. Com essas medidas, o índice de sobrevida saltou de 2% para 56%.
Qual é o clássico da corrente de sobrevida? Primeiro é fazer a população reconheçer a emergência e chamar por socorro. Segundo é a massagem cardíaca e respiração boca a boca. Terceiro é o uso do desfibrilador. Quarto é o médico.
A sede dos sentimentos não é o coração. A alma, se existir, está no cérebro, mas o coração é, de fato, o único orgão automático que se sente. Qualquer alteração nos seus batimentos é imediatamente percebida como um sintoma de algo no âmbito da emoção: “Te dei meu coração”. É do corpo a porção que sente saudade, ódio, amor, quase sempre tudo simultâneo. Hirschautt costumava dizer: “‘Todo está en el corazón”, mas é puro simbolismo. Vamos prevenir a morte súbita com um projeto – Tempo é Vida – para diminuirmos os índices que deixam tristeza, porque a morte súbita quase sempre nos impede de zerarmos nossas contas afetivas. E é o que importa.
Dr. Rui Peixoto
Médico Cardiologista
Escrito por Cardiologista Rui Peixoto 